Quarta, 05 Julho 2017 16:18 Rev. J. C. Bertoni

Martinho Lutero, a Reforma Protestante e a Reforma na Educação Destaque

Estamos comemorando os 500 anos da Reforma Protestante. De grande impacto na sociedade do seu tempo, os seus reflexos se entendem até os nossos dias. Martinho Lutero (1483-1546) foi o instrumento usado por Deus nesse intento, e que ao fixar as 95 teses na porta da Catedral de Wittemberg, resgatou a verdadeira religião, a suficiência de Cristo, da Fé, da Graça e das Escrituras. Mas a Reforma também exprimiu outras necessidades sociais e políticas. Entre essas necessidades, estava a de instrução popular e de um ensino universal.

No contexto do século XVI, as escolas estavam abandonadas, as universidades eram pouco frequentadas e os conventos enfrentavam profunda crise. Os mosteiros e as escolas episcopais-paroquiais educavam para o clero ou nobreza, tinham como objetivo a formação de intelectuais para a manutenção da hegemonia religiosa da Igreja Romana e da nobreza feudal. Ainda que o humanismo daqueles dias tenha resgatado o estudo dos clássicos gregos e latinos, dando autonomia em relação aos textos sagrados, no entanto, promoveu uma educação aristocrática voltada para crianças que se destacavam intelectualmente.

Ao constatar esses fatos, Lutero afirma: “É bem verdade: se as universidades e conventos continuarem corno estão, sem a aplicação de novos métodos de ensino e modos de vida para os jovens, preferiria que nenhum jovem aprendesse qualquer coisa e que ficassem mudos.” (LUTERO, 1987, p.306)

É com essa consciência que Lutero considera a educação como uma prioridade, como um dever do Estado, e a alfabetização das massas populares como requisito para que os fiéis tivessem acesso direto às Escrituras sagradas. Ao traduzir a Bíblia para o alemão, com o propósito de que todos pudessem examiná-la, empreendeu todos os seus esforços na educação. Para tal, em 1524, escreve aos prefeitos e câmaras municipais das cidades da Alemanha que se dignassem a criar e manter escolas cristãs. Portanto, o advento da Reforma também opera uma profunda revolução na educação permitindo a libertação da mentalidade do escolasticismo e transformando Lutero em um importante reformador educacional com esta reivindicação pioneira.

O Reformador afirmou: “De minha parte, se pudesse ou tivesse que abandonar o ministério da pregação e outras incumbências, nada mais eu desejaria tanto quanto ser professor ou educador de meninos. Pois sei que, ao lado do ministério da pregação, esse ministério é o mais útil, o mais importante e o melhor. Inclusive tenho dúvidas sobre qual deles é o melhor (...)” (p. 359).

Além de propor um ensino especializado para as crianças e jovens, defendeu o investimento na educação e nos professores ao refletir e questionar: "Caros senhores. Anualmente é preciso levantar grandes somas para armas, estradas, pontes, diques e inúmeras outras obras semelhantes, para que uma cidade possa viver em paz e segurança temporal. Por que não levantar igual soma para a pobre juventude necessitada, sustentando um ou dois homens competentes como professores?" (p. 305)

Fez duras críticas aos pais por negligenciarem o dever sagrado de educar os filhos, seja pela falta de piedade e honestidade, seja pela falta de formação dos próprios pais, ou pelo pouco tempo que dedicavam a esse fim. Não tolerava que filhos de cristãos fossem privados de se desenvolverem intelectual e espiritualmente. Lutero chega a considerar que a omissão na educação dos pequeninos é o pior de todos os pecados: "Em minha opinião, nenhum pecado exterior pesa tanto sobre o mundo perante Deus e nenhum merece maior castigo do que justamente o pecado que cometemos contra as crianças, quando não as educamos." (p. 307)

Como vimos, para Lutero, a educação era obrigação do estado e gratuita, mas também foi o braço direito da Reforma Protestante como ministério evangelístico. Lembremos que o Ensino das Escrituras é indispensável para a formação espiritual e moral da nação. De que forma sua escola, ou na sua atividade educacional você tem aplicado esses princípios? É momento de refletir, de tomar decisões, de fazer um compromisso sério consigo mesmo, com a comunidade cristã, escolar e com Deus.

Referência Bibliográfica

LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Vol. 1, São Leopoldo: Ed. Sinodal, 1987.

Rev. José Carlos Bertoni
Coordenador Educacional da ANEP

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